Quarta-feira, Março 14, 2012

Sementes

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Esta semana faleceu a mãe de 4 amigos meus. Às vezes nestes momentos reavivam-se memórias. Apesar de com o tempo nos termos distanciado, há certos sentimentos que ficam, sobretudo por momentos que partilhamos e que foram únicos, nomeadamente o Caminho de Santiago e os Convivas Fraternos.
No que diz respeito ao Caminho de Santiago, já se passaram quase 8 anos. Mas apesar de ter passado todo este tempo recordo-me como se tivesse sido no ano passado. O grupo era de 8 pessoas (comigo incluido) e apenas conhecia uma. Nunca fui muito extrovertido ou expansivo, então o facto de ir partilhar o caminho com tantas pessoas que não conhecia deixou-me receoso. Lembro-me da missa do envio em que participamos antes de nos fazer-mos à estrada, e lembro-me de uma frase que o padre disse ou que leu da bíblia, já não me recordo bem, mas em que basicamente dizia para acolherem as pessoas de fora. Parecia que estava a ouvir o que precisava. Mesmo assim, ainda me recordo de dizer no final do primeiro dia, com muita certeza naquilo que estava a falar, que apesar da partilha desta jornada, não seria suficiente para formar uma grande amizade.... não podia estar mais errado. A verdade é que na hora da despedida chorei por deixar para trás 6 novos amigos com quem tinha partilhado um dos melhores momentos da minha vida.
Nos anos seguintes viríamos a encontrar-nos várias vezes noutras atividades e ocasiões, mas a distância e o tempo não perdoam. Várias vezes ouvimos dizer que a amizade, amor ou qualquer tipo de relação é como uma planta, e não deixa de ser verdade, porque tal como uma planta, ela precisa de ser regada com regularidade, senão seca, morre. Mas se o sentimento foi verdadeiro a semente continuará lá, como uma espécie de pegada que essa pessoa deixou no nosso coração.
Daí que quando soube do falecimento da mãe deles fiquei mesmo triste pelo momento porque estavam a passar. Se fosse outras pessoas lamentava igualmente, mas se calhar passaria mais indiferente. Mas não foi o caso. Isto só me fez recordar as pequenas sementes que eles deixaram.
Só espero que eu próprio tenha conseguido deixar a minha semente/pegada na vida das pessoas que até agora foram importantes para mim. Porque não há nada pior do que não deixar a nossa marca neste pequeno momento que é a nossa vida.


Quinta-feira, Março 01, 2012

Charope faz bem.



A Música Original é da Banda Young The Giant, mas prefiro esta versão que o Glee fez e é interpretado 
por Darren Criss.

Restauro e Tratamento de Fotografias

Pois bem, na 3ª Feira lancei um site para aquelas pessoas interessadas em recuperar fotografias antigas, ou mesmo dar um "brilho"diferente às suas fotografias mais recentes.
Nestes 2 serviços distintos existem 3 níveis de intervenção, Básico, Intermédio e Avançado, sendo que para cada um destes níveis existem preços diferentes. No caso do restauro de fotografias, se tiveres mais do que uma fotografia, e dependendo do tipo de restauro que necessita, posso fazer preços especiais.
Pode consultar o Site em www.lasaphoto.wordpress.com e para informações extra podem contactar-me através do E-Mail.
Visitem.
LaSa Photo

Quarta-feira, Fevereiro 01, 2012

Cópia Privada?! Alto lá e Pára o Baile.

Coloquei aqui um pequeno texto há dias a alertar sobre o famigerado Projecto Lei PL118, um Projecto de Lei que atenta directamente ao bolso dos portugueses sobre o falso pretexto da pirataria e da defesa dos direitos de autor. Um Projecto Lei ao estilo Minority Report como já foi referido em muitos espaços, onde mesmo antes de acontecer já estamos a ser taxados. Ou seja, mesmo não fazendo "pirataria" e comprando e pagando os devidos direitos de autor de determinados produtos, esta lei segue o princípio de que somos mesmo assim culpados, por isso pagas mais uma taxa/taxo a quem supostamente de direito.

Este projecto lei incide sobre a cópia privada, sobre a possibilidade "de depois de adquirida uma obra, fazer cópias da mesma para uso privado". O que para o mais comum dos portugueses é algo...digamos...estúpido. Porque tomamos logo do princípio que se comprámos um Cd de música, um Filme, ou o quer que seja, podemos, se quiser-mos, fazer cópias para depois usar nos Leitores mp3, ou no telemóvel, ou no PC ou onde quer que seja, desde que para uso privado. Se pagámos por um cd uma vez não temos que pagar mais 2 ou 3 vezes para usufruir do mesmo produto mas em dispositivos diferentes. Pois bem, se esse produto estiver abrangido pelos DRM (Digital Rights Management), que em Portugal poderá ser a grande maioria, simplesmente não estamos autorizados a fazer cópias privadas. Se por acaso se estragasse, teríamos de comprar novamente. "Esta simples noção, invalida toda e qualquer presunção de prejuízo a compensar. Se não estamos autorizados a ultrapassar o DRM e fazer uma cópia da obra que comprámos legitimamente, não há cópia privada. Sendo assim esta taxa perde todo e qualquer sentido".

Eles (GPEARI; PGR; GMCS; INPI; SPA; AGECOP; APEL; AUDJOGEST; Radiodifusoras; IGAC; José de Oliveira Ascensão; Luiz Francisco Rebello; Alexandre Dias Pereira; Cláudia Maria Salsinha Trabuco; Jorge Pegado Liz) as mentes por detrás desta proposta, estão a tentar impingir algo muito típico em Portugal, dupla taxa. Passo a explicar, o Decreto Lei nº62/98 de 1 de Setembro, artigo 2º
contempla já este tipo de compensação:

"Compensação devida pela reprodução ou gravação de obras no preço de venda ao público de todos e quaisquer aparelhos mecânicos, químicos, electrónicos ou outros que permitam a fixação e reprodução de obras e, bem assim, de todos e quaisquer suportes materiais virgens analógicos das fixações e reproduções que por qualquer desses meios possam obter-se incluir-se-á uma quantia destinada a beneficiar os autores, os artistas intérpretes ou executantes, os editores, os produtores fonográficos e os videográficos."

Eu sei que os tempos não estão fáceis para ninguém, e acredito que o negócio não esteja propriamente bem, mas isso não está para  ninguém. Mas não compreendo, não consigo encaixar como é que alguém tem a lata de tentar sequer aprovar uma lei deste tipo. É que é gozar mesmo do Zé Povinho, que se fode a tentar sobreviver e a quem tentam impingir todo o tipo de merda que só beneficia um punhado de gente que defende os interesses de uma dúzia de gente. E para os artistas que aprovam este projecto lei tenham um pouco de consciência e pronunciem-se, pois quem cala consente. Se eu fosse o autor de um livro não iria querer receber os direitos provenientes de trabalho que não o meu (música, cinema,etc), ou pior ainda, proveniente da venda de algo que não a sua obra.

Aqui fica o link para o abaixo assinado a decorrer contra este Projecto Lei e que conta já com quase quase 4000 assinaturas, e aqui fica também o Projecto Lei.

Em breve irei postar sobre outra anormalidade, mas a nível Europeu/Mundial e apesar de não atentar aos nossos bolsos directamente, atenta contra algo de mais grave....a nossa liberdade.

For Vendetta





Segunda-feira, Janeiro 30, 2012

Projecto Lei Sobre a Cópia Privada [#PL118]

Existe agora uma nova Petição Contra o Projecto Lei Sobre a Cópia Privada [#PL118].
Se não estão por dentro do assunto consultem este site para saber um pouco mais.
Resumidamente, A Associação Portuguesa dos Autores quer impor uma taxa sobre todos os dispositivos de armazenamento, considerando à partida que usamos cartões de memória, memória interna dos telemóveis, pen-drives, discos rigidos etc... para guardar conteúdo pirata. Esqueçam lá as vossas fotos, videos de férias....somos todos piratas aos olhos deles.
Ou seja, é mais uma "desculpa" para ir ao nosso bolso e roubarem-nos literalmente para proveito próprio. Assim, um disco rígido de 1 TB com esta nova lei teria uma taxa acrescida de 20 e tal euros. Mas como sabemos a capacidade dos dispositivos de memória vai aumentando com o tempo, então daqui a uns anos será normal encontrar discos rígidos de 8 TB ou mais. Fiquem a saber que iríamos pagar uma taxa acrescida (além do iva) de quase 200€. 200€ direitinhos para o bolso dos supostamente "artistas", podem consultar este blog que fala melhor sobre isso. Digo supostamente porque duvido que eles recebam 1 cêntimo sequer. E esqueçam as compras online como na Amazon....eles vão obriga-los a cobrar essa taxa....
Assinem, e demonstrem que não aceitamos, sobre o falso pretexto de que toda a população portuguesa faz pirataria e tem qualquer lucro com isso, uma lei que é injusta e que vai beneficiar apenas o lobby que envolve os direitos de autor, sobre o falso pretexto de que é tudo para proteger o Artista. 

O mais interessante é que ainda nem se ouviram os artistas pronunciar sobre este projecto de Lei. Será que os artistas concordam que os portugueses sejam roubados literalmente em seu nome?

Sexta-feira, Dezembro 30, 2011

Entrevista de D. Januário Ferreira


D. Januário Torgal Ferreira, bispo das Forças Armadas, dá um entrevista à Revista Alumni UPorto.
Vale a pena perder algum tempo para ler.


"Em entrevista, D. Januário disse que “ser patriótico não é estar de joelhos e aceitar tudo o que nos dizem”. 
À luz destas declarações, que avaliação faz da recente greve geral?
Foi um exercício democrático. Mas ao mesmo tempo notava-se, quer por parte do Governo, quer por parte de outros setores da sociedade portuguesa, [a tentativa de passar a ideia de] que era uma atitude irresponsável. No sentido em que, se se perde mais um conjunto de horas, a economia do país fica mais debilitada.
Não concorda com esta visão?
Não concordo, não. Nota-se que essas pessoas não têm o realismo de escutar os outros e as no- tas que algumas instituições, que foram as organizadoras da greve, publicaram. A saber, foi dito que a greve, entendida como último recurso da comunidade trabalhadora, deverá significar que a situação do país é perfeitamente intranquiliza- dora. Além de intranquila, é intranquilizadora.
Acha que o povo português deve vir para a rua manifestar a sua discordância em relação às políticas de austeridade?
Com certeza. Fico sempre admirado com o espírito de disciplina e de civismo [do povo português]. Com certeza que há veemência, com certeza que há vozes demasiadamente inflamadas, com certeza que há ditos que ferem qualquer dicionário... Mas o que nós não assistimos foi à arruaça, à violência e à injustiça. Apesar dos comentários infelizes do perigo de tumultos e de anarquias...
Não teme um agravamento da conflitualidade social, porventura com os níveis de violência e de desobediência civil que se verificam na Grécia?
Poderá haver, de facto, esse problema. Se este clima continuar, não excluo uma situação semelhante à da Grécia. Há aqui dois problemas: distribuir – usando o adjetivo que Cavaco Silva usou – com equidade e justiça social os frutos do trabalho; e tratar as pessoas e as instituições como sujeitos, e não como objetos. Começo a ficar um bocado inquieto quando se diz: “fulano foi patriota”. Porquê? Porque defendeu os cortes no Orçamento. Esse é que é o patriota? Aquele que fabrica pobres, miseráveis e oprimidos é que tem amor à pátria? Eu acho que o patriota é o solidário. E a solidariedade começa pelos mais aflitos e pelos mais doentes.
Considera, portanto, que não está a haver equidade na distribuição dos sacrifícios?
Eu acho que não! As zonas mais vulneráveis, mais abandonadas e mais debilitadas económica e socialmente não têm sido zeladas com uma proporcionalidade monetária justa e compensa- dora. Uma malga de sopa mata a fome. Mas uma malga de sopa significa, tantas vezes, o mais profundo desrespeito pelo ser humano: “Toma lá!”. É o olhar de cima. E, como diz o García Márquez, “só se pode olhar de cima como se olha para uma criança: para a ajudar a crescer”. Aí é que o olhar de cima não é uma afronta! Nós ficamos muito satisfeitos, e isso são restos do salazarismo, com a solidariedade que engana a fome. O que eu queria era justiça que matasse a fome! As pessoas têm direito, como homens, a ter um trabalho com um salário justo. Não um salário precário, um salário por favor ou um salário que equivalha à malga de sopa.
Isto significa que a coesão social e o crescimento económico estão a ser esquecidos pelo Governo?
A parte produtiva e social está a ser esqueci- da. Tudo isto vem, a meu ver, da inclemência, do medo e do pânico. Já com o último Governo chegou-se à conclusão de que não havia dinheiro. E, então, sob a pressão do medo, do perigo e da desonra nacional foi possível assinar um acordo [com a troika]. Mas a inclemência e o medo não lhes deu tempo, nem lucidez, para pensar que o que foi prometido ser pago em três anos devia ser pago em seis ou sete anos. Que a dívida deve ser paga, com certeza! Devemos dar o testemunho cívico de que somos honestos, retos e patriotas. Agora, fazer pedidos de dinheiro para ficarmos de joelhos diante da Europa... Neste momento, por muito que isto pareça radical, não sei se será possível mantermo-nos na Europa. Aí é que eu tenho medo que haja tumultos e levantamentos. Porque isto da Alemanha e da França estarem a comandar os destinos do dinheiro, com buscas lucrativas que para mim têm sabor autêntico a agiotas, pode criar uma crise terrível.


 “Doença ética” na Europa
A atual crise económica e financeira da Europa de- corre de uma falta de solidariedade entre Estados- membros?
Eu acho. Não vejo nenhuma solidariedade. Os grandes criadores da Europa não quiseram criar a solidariedade do aço, do petróleo ou do carvão. O que queriam era a liberdade, a igualdade, a solidariedade e a entreajuda. Hoje, um tipo ajuda para dominar o outro. “Eu empresto-te dinheiro mas tu ficas a meus pés”. Tenho um certo re- ceio de que a democracia, não que acabe, mas que seja fraturada. Tenho escutado um certo vocabulário de antagonismo repulsivo [na Europa]. Estamos a criar rivalidades e desconfianças entre países e a alienar as suas soberanias. A solidariedade é um mito. Amanhã, ainda vão chamar Pinóquio à Merkel e ao Sarkozy. Eles mentiram. Eles só estendem a mão se ela vier mais cheia.
Mas é um problema de lideranças ou tem que ver com o próprio sentimento dos países?
Não direi que são defeitos rácicos ou idolátricos de cada país. Nem de lideranças. Nós estamos a assistir a uma doença ética na alma europeia. Andou-se para aí a pregar a cidadania, mas a lição foi muito mal aprendida. Há uma rivalidade sur- da, um orgulho, um imperialismo. Os psicólogos, os sociólogos, os cientistas políticos têm que estu- dar tudo isto melhor. Mas que estamos diante de moléstias de valores éticos, eu não tenho qualquer receio de o dizer. E a Europa não nasceu para ser isto: nasceu para ser uma família.
Há uma crise de valores na Europa?
Eu acho que há uma crise de valores. O mundo ocidental é profundamente egoísta. Vive para si; o outro não conta na balança. Só conta quando pode ser fonte de riqueza e de exploração. Nós estamos, de facto, na exploração do homem pelo homem.
Está pessimista em relação ao futuro da Europa?
Estou um bocado pessimista, querendo ser otimista. Sempre sonhei com esta troca de valores. Nós [europeus] temos muito a dar uns aos ou- tros. O meu grande sonho, como cidadão português, era que se construísse uma Europa para todos. Não uma Europa para alguns. E quando esses alguns querem ser os donos e os senhores, então temos o imperialismo. Não estaremos à porta de uma sublevação?
Voltando a Portugal, havia capacidade para nego- ciar o acordo com a troika de outra forma?
Eu acho que havia, ainda que o Governo anterior estivesse na opinião pública extremamente debilitado. E estes que estão neste momento no Governo tiveram muito tempo para estudar a lição, mas pelos vistos foram maus alunos. Porque o que temos vindo a assistir são medidas avulsas. Não há um estudo abrangente da situação. Compreendo que tem havido pouco tempo para esse exercício, mas escandaliza-me alunos que tiveram dois anos para se debruçarem sobre as soluções. Eu tenho a impressão de que a conclu- são a que chegaram é: “Vamos agora encontrar soluções para o fartar vilanagem”. Mas não encontram soluções nenhumas para o crescimento económico.
Há neste momento margem para introduzir políticas de crescimento económico?
Acho que haveria margem relativamente ao pagamento da dívida. Porque o pagamento da dívida está assente nos nossos bolsos. Por isso mes- mo eles dizem: “Não há dinheiro”. Portanto, eles fizeram as contas e começaram a cortar. E agora o senhor primeiro-ministro já diz ser possível re- negociar algumas coisas. O bem nacional devia ser o bem daqueles que não têm acesso ao que é fundamental na vida de um cidadão. Repare, só se tem falado nos mais vulneráveis para dizer: “Nós não estamos contra os pobres”. Nunca é dito: “Os pobres estão em primeiro lugar”.
Não é dada prioridade aos mais desfavorecidos, é isso?
Não, não há equidade naquilo que se pede aos vá- rios níveis sociais que estruturam o país. Quando dizem que estamos a viver acima das nossas possibilidades, eu fico escandalizado. Mas quem é que tem vivido [acima das possibilidades]? Há muita gente em Portugal que nunca teve possibilidades, como é que agora vivem acima daquilo que nunca tiveram? Isso é que é preciso dizer a muitos senhores.
As pessoas vão aguentar mais ou já chegámos ao li- mite dos sacrifícios?
Miguel Torga disse nos seus diários que nós so- mos “um povo meigamente revoltado”. Dizemos que vamos para a rua, que vamos protestar, que vamos mudar o regime... mas ao fim ficamos comodamente em casa a ver o Benfica-Sporting, a fumar um cigarro e a beber um copo de vinho. O português, infelizmente, é “meigamente revolta- do”. E pode ser embalado por certas formas de esperança. Há uma réstia de autocomplacência e de otimismo.


Igreja “não deve impor: deve propor”
Que papel é que tem a Igreja Católica num contexto de emergência social?
A Igreja deve colocar os pobres em primeiro lugar.
E tem-lo feito?
Nas suas várias instâncias, a Igreja está a fazer o máximo. Só que esse trabalho não é apenas dar euros. O importante, neste momento, é que a Igreja clame por justiça social. Nós estamos numa altura em que é preciso fazer reformas. Em que é preciso muita gente despir-se proporcionalmente, contribuir com generosidade, que é uma forma de pagar direitos à sociedade que nos construiu. E nisso a Igreja devia ir o mais longe possível. Até na sua própria pobreza. Se um dia houver um cataclismo, em que as pessoas não tenham onde dormir, uma igreja deve ser um porto de abrigo.
A Igreja está a ser esse porto de abrigo?
Nunca devemos ficar satisfeitos com o que faze-mos. E a Igreja devia ser modelo na forma hu- mana de estar próxima das pessoas. No explicar, no traduzir da mensagem, no bom-humor – à Igreja falta-lhe, por vezes, o bom-humor, no à-vontade.... Não é natural construírem-se palácios, quando Nosso Senhor nasceu num presépio.

Há sinais de sumptuosidade na Igreja que contrastam com as dificuldades atuais?
Eu nunca concordaria com a grandeza e monumentalidade de uma casa de um bispo. Tenho grande respeito pelo atual bispo [do Porto] e por bispos anteriores, mas eu não me via a habitar uma casa daquelas [Paço Episcopal]. A minha consciência diz-me que é muito melhor viver num simples andar. É muito mais natural. São esses aspetos exteriores que herdámos da História que não nos dão a naturalidade, como as vesti- mentas, esses uniformes palacianos... Parecemos mais homens da super grandeza do que cidadãos normais; e é isso que se espera da Igreja! Mas há também uma mentalidade portuguesa, de um conservadorismo atroz, que acha que é preciso manter um determinado tipo de elevação.
Essa mentalidade não decorre da própria postura do Vaticano?
Sim. O Vaticano é a expressão de uma história. Mas de uma história que devia ser relida e con- temporizada. No período renascentista fez-se isto, mas isto pode dar a impressão de que nós [Igreja] somos fidalgos. Só que nós somos filhos de um carpinteiro... “Se queres ver o vilão, mete- lhe a vara na mão”, diz o povo português. Isto é, às vezes os maiores ditadores e os maiores capita- listas, no pior sentido do termo, são aqueles que um dia nada tiveram mas que passaram a ter um espaço de poder.
Mas a Igreja também funciona como um espaço de exercício do poder...
Aquilo a que chama poder devia, na Igreja, ser serviço. A minha responsabilidade é servir. E aquele que serve considera os outros, antes de mais, como irmãos no diálogo. Não deve impor nada: deve propor. A quem é crente e a quem é descrente eu faço uma proposta! E devo ser isento nessa proposta. É esta mudança que a Igreja ainda não fez. Vão ao Evangelho, está lá: a pobre- za, a simplicidade, a coragem, a liberdade...


“Explicar melhor os aspetos positivos da sexualidade”
Há liberdade no seio da Igreja? Lembro que o Senhor Bispo disse, em entrevista, que os “homens da Igreja são educados no medo e nunca no à-vontade”. 
Isso acontece na Igreja como acontece na socie- dade. No nosso país há muito pouca descontração, muito pouco à-vontade. Há uma postura excessivamente respeitadora perante quem tem o poder, como um aluno diante do catedrático. Mas, quando vira as costas, [o aluno] chama ao catedrático os nomes mais incorretos e inimagináveis. Não seria muito melhor nós termos um colóquio aberto com a gente do poder, cuja importância não nos esmaga, do que vivermos ao gato e ao rato?
Essa postura excessivamente respeitadora inibe a crítica dentro da Igreja?
Como noutras sociedades, é preciso [na Igreja] conquistar a liberdade. Eu sei que a Igreja tem avançado muito, mas há uma poeira de séculos que nos trava o passo. Não sei se é a batina, que eu raramente uso [risos]. Acho que a Igreja, no seu todo, não tem o à-vontade de reformar ou de alterar situações muito sérias. Há um receio muito grande, uma obediência, uma fidelidade a convicções... Mas algumas dessas convicções deviam ser precisadas ao longo das épocas e dos ambientes.
Ou seja, a Igreja devia acompanhar a evolução da sociedade?
A sociedade é muito sensível a determinados temas. Perante tudo o que cheira a sexo, a socie- dade tem uma atitude de flexibilidade exagerada, de extremismo até. Nestes temas, a Igreja tem de facto de saber explicar-se diante do mundo. Tem de ter um outro à-vontade e saber explicar muito melhor os aspetos positivos da sexualidade; e nunca aparecer como uma barreira ou como uma emissora de interditos: “Não faças isto e aquilo e aqueloutro”. Estou a pensar no planeamento conjugal, na utilização de métodos artificiais de conceção, na forma como a Igreja olha para certas ruturas da vida matrimonial, como a separação e o divórcio... Depois de ouvir tanta gente no plano nacional e internacional, eu tive alguma dúvida de que, em certas situações, era moralmente obrigatório usar o preservativo? Não tive dúvida nenhuma! E quantos vitupérios eu ouvi... Até que o Papa, depois de vários diálogos jornalísticos na ida à África, disse: “Num ou noutro caso” [é legítimo o uso do preservativo]. É uma questão de respeito pela inteligência e pelo bem.
A Igreja continua, contudo, bastante inflexível em várias matérias, como a ordenação de mulheres ou o celibato sarcedotal. Esta postura é necessária para manter um determinado padrão moral na Igreja?
É também o respeito pela tradição. Mas estou convencido de que, nalguns desses temas, vai haver mudanças. No sacerdócio das mulheres, o Papa falou e a noção de magistério ordinário é de forma definitiva. Mas, por exemplo, no caso do celibato, não tenho quaisquer dúvidas de que um dia a Igreja, com o mesmo respeito pelas razões da fé e sem ceder a pressões, vai mudar. Não tenho dúvidas nenhumas. Agora, ao dizer que isto vai ser possível, eu não alieno a cabeça. Às vezes dizem-me: “Você devia ser mais ponderado, mais prudente”. E eu sou! O que eu quero dizer a católicos e a não católicos é que determinadas posições [da Igreja] não são o que parecem.
Sente-se uma voz incómoda dentro da Igreja?
Não me sinto uma voz incómoda, [mas] sinto que algumas pessoas se incomodam. E uma das formas de se sentirem incomodadas é pensarem: “Eu já tentei humilhá-lo e não consegui. Eu já tentei retorquir e não consegui. O melhor é eu não publicitá-lo”. E então essas pessoas, quando nos encontramos, falam-me pouco. Não é não me falarem, é falarem-me pouco. A pessoa man- tém a sua convicção e a única forma de mostrar ressentimento é o silêncio. Isto acontece num ou noutro caso; não é generalizado."


in  Revista dos Antigos Estudantes da U.P., nº 15, Dezembro 2011

Sábado, Dezembro 24, 2011

Feliz NATAL

Um Feliz e Santo Natal são os meus mais sinceros votos.
PauloL.

Segunda-feira, Dezembro 19, 2011

Jesus was an Only Son

Aqui fica uma música cheia de significado para esta época do ano.
Um "hino" à relação bonita entre uma Mãe (Maria) e seu Filho (Jesus).
Feliz Natal




Jesus was an only son
As he walked up Calvary Hill
His mother Mary walking beside him
In the path where his blood spilled
Jesus was an only son
In the hills of Nazareth
As he lay reading the Psalms of David
At his mother's feet

A mother prays, "Sleep tight, my child, sleep well
For I'll be at your side
That no shadow, no darkness, no tolling bell,
Shall pierce your dreams this night"

In the garden at Gethsemane
He prayed for the life he'd never live,
He beseeched his Heavenly Father to remove
The cup of death from his lips

Now there's a loss that can never be replaced,
A destination that can never be reached
A light you'll never find in another's face,
A sea whose distance cannot be breached

Well Jesus kissed his mother's hands
Whispered, "Mother, still your tears,
For remember the soul of the universe
Willed a world and it appeared

Terça-feira, Dezembro 13, 2011

DiCe

Uma das minhas músicas favoritas e que faz também parte da banda sonora de uma das minhas séries favoritas.


Sexta-feira, Dezembro 02, 2011

É quase Natal....yay...not

Já cheira a Natal, já se ve Natal por tudo quanto é lado. Ainda não começamos a ouvir as músicas de Natal na rádio, mas também não deve faltar muito.
Pena que ainda não entrei no espírito natalício, e sinceramente acho que este ano vai ser difícil. Sobretudo porque está a terminar mais um ano, e ao fazer a retrospectiva vejo que nada mudou. Tudo continua igual...Pouco ou nada mudou, e o que mudou....
Além do mais, o facto de nesta fase da minha vida ter ainda de depender dos meus pais não ajuda e não faz bem ao ego de ninguém. São amarras que envergonham e que me impedem de muita coisa.
Ou seja, este ano, não vai haver grandes prendinhas para as pessoas que gosto. 

Sexta-feira, Novembro 18, 2011

Guerras

Solidão, medo, fantasmas, incompreensão, apatia....
É o que vejo no rosto deste soldado americano que esteve em serviço no Afeganistão.
A guerra para ele não terminou.
Quantas guerras interiores temos de também lutar muitas vezes.

(Photo and caption by Ashley Kauschinger)
YUENGLING, 2011

Terça-feira, Novembro 15, 2011

A Friend in Need is a Friend Indeed.

Posso não ter muitos amigos, mas os que tenho são os melhores.
Pena que por vezes os poucos que tenho deixem algo a desejar. Se calhar crio demasiadas expectativas em relação a certas pessoas. 
Quando esperamos pelo apoio de alguém (mesmo em coisas simples e insignificantes), por alguma palavra ou alguma demonstração de interesse e não vemos nada, só dá para ficar algo decepcionado...
Se calhar sobre-valorizei algumas pessoas.
Mas já foi tempo em que ficava mal por isso. Magoa um bocado, talvez irrite um pouco também, mas tento seguir em frente.

Sexta-feira, Novembro 11, 2011

6 Anos

Só agora ao rever o meu historial neste blog é que reparei que hoje, dia 11/11/11 este blog faz 6 aninhos :) Muitos de vós não deve ter acompanhado este blog desde o princípio, mas este blog passou por muitas fases, tal como o seu criador lol Fases em que escrevia sobre tudo o que me era mais íntimo, fases em que simplesmente não me ocorria nada para escrever, e mesmo uma fase em que estive para largar este mesmo espaço, por falta de ideias, por medo de me expor aqui.
Ultimamente tenho tentado revitalizar e reviver este blog, por isso aceitam-se sugestões :)
O Beirão continuará, sendo que está mais sábio e maduro.

UltraVioleta

Para mim os U2 são uma das melhores bandas de todos os tempos. O mais engraçado é que só os "descobri" durante o período em que andava na faculdade. Músicas que já conhecia ganharam um rosto, e é sempre bom descobrir uma "nova" música desta banda.



Sometimes I feel like I don’t know
Sometimes I feel like checkin’ out
I want to get it wrong
Can’t always be strong
And love it won’t be long...

Oh sugar, don’t you cry
Oh child, wipe the tears from your eyes
You know I need you to be strong
And the day is as dark as the night is long
Feel like trash, you make me feel clean
I’m in the black, can’t see or be seen

Baby, baby, baby...light my way
(alright now)
Baby, baby, baby...light my way

You bury your treasure
Where it can’t be found
But your love is like a secret
That’s been passed around
There is a silence that comes to a house
Where no one can sleep
I guess it’s the price of love
I know it’s not cheap

(oh, come on)
Baby, baby, baby...light my way
(oh, come on)
Baby, baby, baby...light my way

Oh...ultraviolet...
Ultraviolet...
Ultraviolet...
Ultraviolet...

Baby, baby, baby...light my way

I remember
When we could sleep on stones
Now we lie together
In whispers and moans
When I was all messed up
And I had opera in my head
Your love was a light bulb
Hanging over my bed

Baby, baby, baby...light my way
(oh, come on)
Baby, baby, baby...light my way

Ultraviolet...

Baby, baby, baby...
Baby, baby, baby...
Baby, baby, baby...light my way

10 Razões

O seguinte texto foi retirado do blog de Paulo Coelho, e achei bem partilhar isto. Para ser um bocado diferente.


Livro de Paulo Coelho intitulado "Onze Minutos"sugere que o "ato de união" só leva cerca de 2-3 minutos, enquanto os restantes nove minutos não são mais do que uma tentativa para alcançar o "crescendo", quando uma descarga hormonal fornece êxtase como nenhum outro!
Os cientistas têm debatido frequentemente que o sexo é extremamente benéfico para a nossa saúde, mas a falta de sexo em boas medidas podem ter efeitos negativos. Por outro lado, muito sexo também pode ser prejudicial, se você entrar em sexo há mais de 3 vezes por semana, você está se expondo ao risco de um enfraquecimento do sistema imunológico, bem como a vulnerabilidade a infecções ...
1. O equilíbrio de sua saúde mental e emocional é definitivamente influenciada pelo sexo. Enquanto a abstinência, muitas vezes leva à ansiedade ou paranóia e até mesmo depressão ... fazer sexo pode curar casos de depressões leves. Depois de ter exercido o sexo, o cérebro libera endorfinas que diminuem a tensão e induzir um estado maravilhoso de euforia.
2. Para todas as mulheres que, depois de ter sexo regularmente significa liberdade de tratamentos de beleza caros. Um excelente tratamento de beleza, fazer sexo, na verdade dobra o nível de estrogênio em mulheres e faz com que seu brilho cabelo com brilho ao fazer sua pele macia e suave.
3.E se você quer viver mais tempo, então não procure mais do que seu próprio quarto. De acordo com uma pesquisa realizada na Universidade de Queens, em Belfast, Irlanda, ter relações sexuais regulares aumenta a vida útil em seres humanos. Verificou-se que dentre o povo da mesma idade e de saúde, aqueles que tinham orgasmos mais freqüentes enfrentados taxa de mortalidade 50% menor do que o que as pessoas que não têm orgasmos freqüentes.
4. O sexo é um tratamento de limpeza profunda excelente. Uma vez que o sexo é um exercício extenuante, mas prazeroso, quando tiver relações sexuais os poros de sua pele são limpos deixando um brilhante e pele brilhante, bem como diminuir o risco de desenvolver dermatite.
5. Um barato e prazeroso exercício do sexo, pode fazer você perder peso.Quando você faz sexo depois de um jantar à luz de velas romântico, não só você queimar toda a gordura e carboidratos consumidos, mas também se manter saudável, sem nenhum custo extra! Considere isto: A única sessão de apaixonado, mind-blowing sexo (mesmo o sexo regular) pode queimar cerca de 200 calorias. Isto é equivalente a correr por 15 minutos em uma esteira!
6. Ladies, se você gosta de você o homem para ter bíceps protuberantes, em seguida, ter relações sexuais com mais freqüência.O sexo é uma ótima maneira de fortalecer os músculos. Imagine o esforço feito pelo seu homem através daqueles difíceis empurra e flexões! Claro, tudo depende de as acrobacias em sua cama ... mas é definitivamente melhor do que correr por milhas em quilômetros.
7. A vida sexual mais activa que o seu, o mais atraente e irresistível para você se tornar o sexo oposto. Realmente! Uma vida sexual ativa significa que seu corpo começa a ter o hábito de liberar mais feromônios, substâncias químicas que atraem todos aqueles lindos, mulheres exuberantes! Não admira Casanova era tão popular!
8. Sexo pode aguçar seus sentidos, principalmente melhorar o seu sentido de cheiro Após o sexo, a prolactina é liberado que ativa as células-tronco no cérebro de formar novos neurônios no bulbo olfatório.. Isso ajuda a melhorar o seu sentido de cheiro.
9. Um analgésico, o sexo é dez vezes mais eficaz do que analgésicos como Valium. Pouco antes do orgasmo, o nível do hormônio oxitocina sobe quase 5 vezes, levando a liberação de grande quantidade de endorfinas. As endorfinas são analgésicos naturais e aliviá-lo da dor, dores de cabeça menores, e enxaquecas, sem quaisquer efeitos depois.Próxima vez que sua mulher tem uma dor de cabeça, tratá-la com uma sessão vigorosa de fazer amor em vez de um Valium.
10. O ato de beijar estimula a salivação, o que ajuda a limpar as partículas de alimentos presos entre os dentes e abaixa o nível de acidez na boca. Esta é a principal causa da cárie dentária. Então beije o quanto quiser, afinal é uma grande desculpa!

Quinta-feira, Novembro 10, 2011

Menos uma campainha para atender...

Ao rever algumas cenas da série Glee achei esta cena clássica que não fica atrás de qualquer produção de Hollywood. Este é um medley das músicas One Less Bell to Answer/A House is Not a Home que Barbra Streisand gravou num dos seus álbuns nos anos 70.
Esta música é linda. Fala sobre a perda de alguém especial, a falta que essa mesma pessoa faz mesmo nas simples rotinas do dia... e o desejo pelo seu regresso.


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